15.5.07

"Clockwork Orange"

É impossível pronunciar e até mesmo proferir os termos conformismo e autonomia e deixar escapar tal obra-prima. A contemporaneidade do tema é incrivelmente fantástica, chegando mesmo a ser monstruosa.
Não estivesse Stanley Kubrick já enterrado e eu viveria para vê-lo receber um Óscar por esta adaptação cinematográfica do livro “Laranja Mecânica” de Anthony Burgess. É estupenda a forma como o realizou e como, ainda hoje, tão bem se adapta à mesquinhez desta magnificente (se é que me entendem a ironia…) sociedade – a aparatosa!
Não se pode deixar passar tais evidências tão bem visíveis no ecrã – conformismo, corrupção, violentas erupções de escárnio, maldizer e até mesmo físicas… Onde tenho eu visto isto?
Estaremos assim tão ligados aos nossos instintos animais? Mais do que eu própria pensava? Ou será que, por outro lado, estamos a afastar-nos, cada vez mais, da simplicidade que é viver e a esquecermo-nos da consciência?

“Vós olhais para cima, quando aspirais a elevar-vos. E eu olho para baixo, porque já me elevei.
Quem de vós pode, ao mesmo tempo, rir e sentir-se elevado?
Aquele que sobe ao monte mais alto, esse ri-se de todas as tragédias, falsas ou verdadeiras.”
by Friedrich W. Nietzsche in “Assim Falou Zaratustra”

Outro grande nome que proferiu estas enormes palavras que, uma vez mais, tão bem se ajustam ao que aqui escrevo hoje.

Nem me vou pôr a falar de política, porque isso seria óbvio demais e confesso que não tenho paciência para dedicar o meu precioso tempo a analisar as politiquices que se vivem hoje em dia. Para mim, hoje já não há política, é a lei do mais forte que prevalece (Ups! Cá estão a evolução e os instintos animais a predominar de novo!) – e entenda-se forte como uma “pessoa” rica monetariamente (não, hoje em dia já não é o alimento e afins que nos levam a evoluir e a subir na vida) – e não dos fortemente dotados de bom-senso, perspicácia, audácia, discernimento, coerência, justiça (e poderia enumerar diversas qualidades quase extintas), mas sobretudo dotados da mais plena consciência.

Como se pode ver no filme, tudo isto está muito bem representado e interpretado pela personagem de Alex, e uma das coisas que mais me fascina é o facto de até certos erros serem propositados, elevando assim o filme a um nível ainda mais alto.
Só queria deixar bem claro que este filme teve o impacto que teve por merecê-lo e por se adequar tão bem no tempo em que foi lançado – e quero eu dizer com adequar o facto de ter sido tão inconveniente para certas entidades. Embora ache o ser humano uma criatura esplêndida e admirável, mesmo sendo um autêntico animal – e dos piores que por aí andam soltos -, continua a ser mesquinho e a não ser capaz de ultrapassar certas e determinadas “cavernices”. Incluam-se em cavernices tanto as atitudes da “idade das cavernas”, como as que surgiram, ou possam vir a surgir, e mesmo assim continuam, quanto a mim, ultrapassadas pelo bom-senso. Ah! E para que não hajam mais desentendimentos, não entendo por bom-senso as atitudes dos “bons da fita”, pois não creio que seja com a “política dos coitadinhos” que se governa um país, mas sim as correctas, justas e coerentes.


Em suma, o “Laranja Mecânica” é, como eu gosto de o apelidar, uma fabulosa sátira intemporal que só continuará a sê-lo se nós quisermos… e se nós queremos, nós podemos! O desejo e o prazer reinarão eternamente!



"O entendimento do que digo cabe aos que a minha pessoa desconhecem, aos que ocultam a imagem exterior. Boa noite!"

13 comments:

Nazione said...

Não te podes esquecer que há pessoas que têm mais dinheiro que os outros porque foram mais astutas e inteligentes (a tal lei do mais "forte") que os outros...ou concordas que um jardineiro receba tanto como um médico?

Paulo Martini said...

Tem também haver com a responsabilidade individual.
Um Gestor de uma grande empresa pode não fazer nenhum a maior parte no dia.
Mas é bem pago porque as decisões que toma podem fazer a empresa perder muito dinheiro.

Lucífera said...

Eh lá!
Mais uma pessoa que lê este blog, eheh.
Obrigada!

Nazione said...

Sei que não gostas disto, mas:
Para quando novo texto?

Paulo Dionísio de Sousa said...

Não pude de deixar de reparar na homenagem feita aqui ao celebre "laranja mecanica". Lembrei-me de um poema que ficaria bem cantar neste blogue:

Poeta em construção

Olho e visualizo o que está
À minha esquerda e direita
Avanço mas tropeço
Caio e levanto-me
E visualizo o que está
À minha esquerda e direita
Avanço correndo
O mais que eu posso
Somando a energia extra
Do chocolate extra
Que comi de maneira
Extremamente rápido
Se passar a andar
Tropeço outra vez
E se começo a matutar
Caio de vez
Movendo-me a alta velocidade
Consigo alcançar tudo
Primeiro que os outros
Tiro poleiro a meu irmão
Que só por ter menos gasolina
Não consegiu raptar a bandeirola
Cor-de-laranjada, de laranja
Da laranjeira da minha avó
Acabando por ficar
Com a laranja
Que vai chupando devagarinho
Aproveitando toda a vitamina C
Que consegue chupar da sua laranja
O que a ambição de glória
Pode fazer que aconteça
Desde que a tua humildade
Seja notória
Que nada te impeça de criar
E que a ambição não te leve
À vontade e ao gozo de manipular,
De jogar, sem calcular

by Paulo 2007

Lucífera said...

Thanks pelo comment!
Tens é de começar a corrigir esses erros, como a pontuação a má utilização do género, mas obrigada!

Lucífera said...

"...a pontuação e a má..."

Nazione said...

Lucífera é de mau tom corrigir as pessoas que comentam por bem...

Lucífera said...

Eu corrijo toda a gente e gosto que me corrijam a mim. Se não estamos aqui para aprender algo, então mais me vale morrer agora. Prefiro isso a passar a vida a erra...digo eu, que não entendo nada disto.
Agradeci de bom grado, não vejo qual o mal em corrigi-lo. Se levou a mal, paciência. Voltaria a fazê-lo.
Mas obrigada pelo teu comentário também Nazione, eheh.

Lucífera said...

"...Prefiro isso a passar a vida a errar..."

Paulo Dionísio de Sousa said...

Será que posso por comentários aqui em que n falo de rigorosamente nada como no teu blog, em que nao se discute politiquices pq n faz parte do nosso mundo? por exemplo o q será o nada?? Já pensaste que nada pode ser uma coisa de que se deixe de falar. Serei eu um nada, serás tu? Quem sabe se este comentário vai acabar por fazer algum sentido.. Se não for melhor, significa que não disse nada e foi para nada que eu escrevi isto...

Lucífera said...

Se é isso que te dá prazer, então comenta sobre o que te apetecer rapaz.

Paulo Dionísio de Sousa said...

último comment de paulo dionísio de sousa