21.4.07

A Teoria do Prazer

(Publicado a 25 de Outubro de 2006, às 21h12.) Antes de mais, e como já devem ter reparado, eu não dou uso a esta febre que é o “Hi5” (sim, porque era suposto estar nessa coisa, mas como não presta veio para aqui). Assim, e porque não, decidi dar-lhe um sentido minimamente útil, ou seja, em vez de andar a exibir-me em público, prefiro exibir o que penso em relação a algo e expor esses pensamentos/ideias para o público interessado. Apesar do uso que as “pitas” (e entendo por “pitas” toda a população da “geração Morangos”, que adora vir para aqui, enfim, só cultura!) lhe dão, achei esta ideia bem mais interessante.






Para entender esta teoria, creio que seja necessário um ligeiro conhecimento de biologia, mas acredito que qualquer ser do senso comum, com um mínimo da cultura geral, consiga entender a minha perspectiva. É necessária uma certa familiarização com certos conceitos, mas vou tentar explicá-los à medida que vão aparecendo.



Como se sabe, os humanos são animais que, embora racionais, partilham as suas características principais, isto é, partilham os instintos animais. Estes já estavam presentes mesmo nos animais mais primitivos. Os instintos animais são, portanto, tudo o que nos controla, assim como: a ambição, o sentido de sobrevivência, de posse. É então a possessão que mais nos move. São os mesmos instintos que nos levam a procurar, a pensar mais à frente (ou pelo menos era suposto que assim fosse), a evoluir.
E a evolução, para mim, é única e exclusivamente baseada na Selecção Natural. Esta foi uma teoria criada por Charles Darwin. Darwin publicou "The Origin Of Species" em 1859, onde defendia a Selecção Natural. Esta baseia-se, no fundo, na famosa ”lei do mais forte”, “lei do mais apto”. Os mais bem adaptados a um dado ambiente sobrevivem, enquanto que os outros acabam por morrer. Os que sobrevivem passam as suas características à descendência e assim sucessivamente. É a “Lei da Sobrevivência” – instinto animal.

O ser humano é o animal mais influenciável que existe e, portanto, é egoísta, egocêntrico, por muito que se diga altruísta. Assim sendo, eu acredito que somos completa e totalmente influenciados pelo prazer, ou seja, qualquer coisa que façamos/digamos sentir está a ser motorizada pelo prazer que obtemos ao fazê-la/dizê-la.

Assim, é lógico que para mim os sentimentos não existam, pois acredito que foram só mais uma criação do Homem para acreditar em algo. A necessidade de crença em algo superior, de que a Humanidade padece, é incrivelmente ridícula. Tal como a crença em um Deus - um mito apenas criado pelo desejo de acreditar em algo mais elevado para se poder desculpar dos erros cometidos - os sentimentos são também fruto da criação do Homem.
Embora não me considere dona da verdade, defendo sempre aquilo em que acredito. Assim, proponho que me digam um qualquer sentimento que pensam não ser movido pelo prazer e, logo que possa, mostrarei como estão enganados.
Apesar de ser esta a primeira vez que a “mostro” publicamente, já algumas pessoas me “desafiaram” com uns exemplos. Uns dos mais comuns foram o amor e a raiva. O primeiro, a meu ver, não passa do prazer contínuo em querer estar com alguém, porque esse alguém transmite prazer. O sentido de posse faz com que se queira essa pessoa. Queremos possuí-la (e peço desde já desculpas às mentes mais depravadas, mas não me deixo levar pelo significado que iriam dar às aspas)! (Talvez numa próxima “edição” “publicarei” uma pequena teoria sobre o amor, que diz que apenas se ama por se estar mentalizado para tal, pois amar não é algo inato ao ser humano.) Por outro lado, a raiva não passa do contrário. Quando alguém se atravessa no caminho de forma a não deixar que outra pessoa obtenha prazer, essa afasta-se. Sente repulsa por ela. Existem muitos outros, como se pode imaginar, por isso espero que futuramente se demonstrem susceptíveis a “colaborar” comigo em outras ideias/casos/exemplos que não foram aqui discutidos.

Podem contra-argumentar com as pessoas que “gostam” (agora sim bem utilizadas, pois aqui não existe o “gostar”) de muita gente. É simples, esse tipo de pessoas sente prazer assim. Somos todos diferentes e, naturalmente, o que queremos pode não ser o mesmo.

Aproveito agora para esclarecer algo importante: os meus conceitos misturam-se, muitas vezes, com os do resto da população, quando não têm nada em comum, ou seja, eu dou a tudo o meu próprio significado e o que eu entendo por algo pode não ser o mesmo que outra qualquer pessoa entende. Podem ser enganados e pensar que falamos do mesmo. Assim, podem chamar-lhe: prazer, querer, vontade, desejo, etc. É indiferente o termo utilizado, desde que o conceito seja o mesmo.

Bem gostava eu de chegar ao Mundo e dizer:
_ Vão desculpar-me, mas afinal os sentimentos não existem!

Seria crucificada há uns anos e agora tomada por maluca. O mesmo se passou com muitas outras pessoas que expuseram o que pensavam. No entanto, não é difícil comprovarem a Teoria do Prazer, pois está em todo o lado, em tudo o que qualquer ser humano faz, desde a acção mais básica como comer, dormir, tomar banho, ao acto mais tresloucado. Tudo nos transmite prazer, seja de que forma for. Eu própria admito que sou completamente movida pelo prazer. Claro que é mais fácil negar, tanto pelo lugar que cada um ocupa na sociedade de hoje em dia, assim como pela imagem que somos incentivados a manter perante os outros. A ignorância é geral e, por um lado, ainda bem que assim é.

“Ignorance is bliss!”

“Felizes daqueles que vivem na ignorância e desconhecem a realidade.”

Quem tem consciência do Mundo em que vive não pode ser feliz e é nisto que a Teoria do Prazer se baseia. Não existe nunca o bem sem existir o mal, nunca há o lado positivo sem o negativo. Tal chega a ser tão óbvio que nem há ponto para discussão. E é preciso evoluir, pensar mais à frente, aceitar o que é novo.
Aceitar o que é novo - que neste caso não é nada novo, antes pelo contrário é bem antigo, existe desde que foi criada a vida –, o que não se conhece, é sempre feito de pé atrás. Ao longo do tempo, sempre houve pessoas a serem condenadas, mesmo até pelo vizinho do lado, por terem teorias e pensamentos inovadores que as reles multidões desconhecem. O mesmo se passou com pessoas conhecidas como Darwin, que publicou o famoso "The Origin Of Species" depois de Wallace ter publicado algo parecido, pois não teve coragem antes, e Leonardo DaVinci, considerado pioneiro em muitas áreas, mas a verdade é que, antes dele, existiram cientistas que formaram as ideias primeiro e ele limitou-se a evolui-las.
Alguém tem de dar o primeiro passo! Há até quem prefira continuar como está do que mudar. No entanto, são as multidões que definem uma sociedade e são elas que, se se recusarem a conhecer, a inovar, marcam e fazem a diferença.
Acredito que a teoria teria mais valor se eu morresse, se fosse assassinada em público. Além de estarem a valorizar o que digo, a dar-lhe importância, estariam a imortalizar a minha pessoa e o que penso e digo - o que é o mesmo que fazerem com que o que digo ficasse para a história. Mas quem sou eu para dizer ou mesmo até publicar algo? NINGUÉM!
O ser humano deveria ser como uma garrafa – apenas possuir um orifício que escolhesse, seleccionasse através de um “filtro”, tudo o que é novo e depois decidiria se aceitaria ou não - e não um ser que despreza e ignora mesmo até o que quer que seja que esteja tão óbvio à sua frente ou que funciona como uma garrafa, mas esta com um orifício em baixo – deixa escapar muita informação que lhe é transmitida.

Assim, deixo aqui uma questão para aqueles que pretendam dedicar algum tempo ao que aqui expus:



“Será que um homem consciente pode ter qualquer respeito por si próprio?”
Dostoievsky

E para aqueles que não tenham acreditado em nada do que penso, deixo uma frase feita (frases ditas por alguém e tomadas como verdadeiras pela sociedade – dogma – e que, por isso, eu desprezo. Uso-as quando estou a falar com alguém que só entenda o que digo desta forma.) para que reflictam melhor:



“Se ouvirmos a mesma cassete repetidamente, ouvimos uma música diferente de cada vez.”
Steven Gold


Quero também deixar claro que nem tudo o que expus é de minha autoria. As pessoas com quem convivo todos os dias contribuíram com as suas experiências e pensamentos. Não cito nomes, mas essas pessoas reconhecerão, com certeza, certas partes. Assim, para essas pessoas deixo isto:
_ Peço imensa desculpa pela exposição pública das vossas ideias, mas eram fundamentais. Por essa mesma razão não cito os vossos nomes.



Fiquem atentos a alterações, critiquem tudo o que quiserem (o que eu gosto é disso) e obrigada pela atenção disponibilizada.





"O entendimento do que digo cabe aos que a minha pessoa desconhecem, aos que ocultam a imagem exterior. Boa noite!"

10 comments:

Anonymous said...

(Postado a 25 de Outubro, às 21h39.)

Só tenho uma coisa especifica a dizer; não concordo totalmente com o facto de achares que não existem sentimentos, porque sentimentos vem da palavra sentir, e o que as pessoas sentem são, no fundo, apenas sensações.
Sensações fugazes e passageiras, óbvio, nada dura para sempre, mas mesmo assim, e por muito pouco que durem ou mesmo que sejam inventadas na nossa imaginação elas sao sentidas.
Embora isto dê muito pano pa mangas, dito assim preto no branco sentimentos acabam por ser sensações, de alguma maneira são reais, que mais não seja nos nossos imaginários, logo existem.
E como dizia Sócrates:
"Se penso logo existo"


Ah.. um pequeno à parte..
(Gostei muito do pormenor do Leonardo Da Vinci)

Anonymous said...

(Postado a 25 de Outubro, às 21h41.)

Que falha a minha, esqueci-me de dizer outra coisa.
Concordo com o resto da tua Teoria. Acho que está muito bem elaborada e explicada, tens muita razão em alguns pontos do texto.
Parabêns

Anonymous said...

(Postado a 25 de Outubro de 2006, às 22h51.)

acho essa teoria bastante interessante, ate porque vai de encontro a uma ideia k sempre defendi, a nao existencia de deus. mas quanto aos sentimentos nao me parece que estejam inteiramente ligados ao prazer. por exemplo os sentimentos de dor e pena nao me parece que tenha ligaçao com o prazer... a nao ser a relaçao oposta.

Anonymous said...

(Postado a 28 de Outubro de 2006, às 13h46.)

Desde já os parabéns pela elaboração da teoria que deve ter dado bastante trabalho.
Fica já uma pergunta, no inicio referes que é "necessário um ligeiro conhecimento de biologia", não será antes de filosofia?!? penso que no cerne da teoria não expões nada que requira conceitos de biologia para uma compreensão básica.
Passando à teoria em si não concordo de todo com a comparação de uma crença religiosa (nomeadamente em Deus) com aquilo que julgo ser apenas definições abstratas do que o ser humano sente, penso sinceramente que os sentimentos como sensações estão então ligados ao prazer (ou não) como tu referes na teoria e apenas têm nomes para que o ser humano possa comunicar entre si sem estar a sentir o sentimento. Se a ideia que referes na teoria de os sentimentos serem uma criação do homem for na medida de serem na mais que a atribuição de uma classificação dos vários estados de prazer então concordo inteiramente, se for uma criação como a crença religiosa em Deus tenho que discordar completamente já que a crença em Deus como possivel realidade apenas está assente na biblia e no conceito formulado pela igreja a que se dá o nome de fé (e mais uma vez não me parece uma comparação muito feliz já que a crença religiosa não nos é imposta apartir do momento em que nascemos é uma mera opção para facilitar alguns "medos" do homem como a morte), pensando desta maneira poriamos então toda a existência da nossa sociedade em causa (entrando um pouco em extremos, porquê chamar a aquilo que conhecemos por cão de "cão"?? e não lhe chamar "banana"?... a sociedade foi contruída a denominar aquilo que conhecemos como cão de "cão", nós crecemos nela e é assim que lhe chamamos também simplesmente para facilitar a comunicação entre todos).
De resto concordo especialmente com referência de que basicamente a ignorância trás felicidade, já Fernando Pessoa como pensador e escritor referia essa ideia com base na nostalgia de infância, sendo uma criança o exemplo no auge da felicidade humana uma vez que não ignora por completo o mundo que a rodeia e desconhece a maioria das sensações que acabam por perturbar o felicidade do homem.
E não tenho mais nada a dizer por agora! Beijinhos e continuação de um bom trabalho nessa teoria!

Pipi

Lucífera said...

(Postado a 28 de Outubro de 2006, às 20h00.)

Bem, acho que depois deste comentário não me serve de nada pensar nas explicações. O "Pipi" disse tudo no que escreveu. Genial, ou melhor, brutal!

Sofia

Anonymous said...

(Postado a 2 de Novembro de 2006, às 19h57.)


bem...nao vou comentar a "teoria" porque nao faz qualquer sentido para mim. nao por me considerar ignorante mas porque a EXPERIÊNCIA (melhor fonte de conhecimento) assim me leva a concluir. e conhecendo a minha amiga fia como conheço acho melhor apenas relembra-la que se assim fosse, se os sentimentos fossem apenas frutos de uma qualquer necessidade não existiriam laços entre as pessoas...fossem eles qual fossem...e custa-me a acreditar que penses assim...não és assim e não te enganes...tal como dizes existem dogmas e as pessoas formatam-se atraves deles...mas no te esqueças que ao tentar fugir deles podes estar a seguir outros que apenas seguem um sentido diferente...a direcção é a mesma! Acredito que se algo, alguem ou mesmo o acaso fez com que nos tornassemos em seres com uma extrema capacidade de raciocinio, "inteligentes"...e recordando a enorme evolução que ja sofremos...se os sentimentos fossem essa mera necessidade porque é que ainda nao a superamos como tantas outras? com milhares de anos de existencia ainda subsiste...algum valor há de ter...nem que seja o da persistencia.

peço desculpa amiga mas nao consigo conceber a tua teoria...independentemente da minha perspectiva...ha um "raciocinio" na tua dissertação que a invalida...um paragrafo aliás...

"acredito que a teoria teria mais valor se eu morresse, se ue fosse assassinada em público. Além de estarem a valorizar o que eu digo, a dar-lhe importância, estariam a imortalizar a minha pessoa, o que penso e digo- o que é o mesmo que fazerem com que o que eu digo ficasse para a historia. Mas quem sou eu para dizer ou até mesmo publicar algo?NINGUÉM"

enfim fia...le o que escreveste e pensa bem...achas que é uma frase de uma pessoa que quer transmitir um pensamento coerente, reflectido e com alguma base de fundamento?
desculpa mas a mim parece-me apenas o desabafo a quente de alguem que esta zangada e desapontada com algo e nao se quer dar ao trabalho de seguir em frente...prefere disparar em todas as direcções, escondendo-se atrás de uma "teoria" que hipoteticamente justificaria tudo o que possas dizer...


Anda cá este fim de semana...vamos ganhar umas calorias a comer cachorros e se quiseres discutes comigo o tmepo que quiseres...anda pleaseeeeeeeeeeeeeeeee!!!!!!!!!!!!!!!

um beijo muito grande da tua amiga (espero que percebas que é por ser tua amiga que te digo isto)

Anonymous said...

(Postado a 4 de Novembro de 2006, às 14h27.)

"Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do Mundo...
Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...

Eu não tenho filosofia; tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar..."

Alberto Caeiro, em "O Guardador de Rebanhos", 8-3-1914

Ó jeitosa, isto tudo pra dizer: nao penses no mundo que ele tb n pensa em ti! Ser ceifeira é taaaaaao bom!! :)

***Jvp8

D.Diego said...

Teoria interessante mas é preciso esclarecer alguns pontos. Dizes que raiva surge quando algo ou alguém impede o sujeito de ter prazer logo "sente-se repulsa por (...)". O sentimento de repulsa então existe!
E relativamente à compaixão e à revolta em relação a algo injusto?
Eu até diria que o prazer advém de uma reacção do cérebro aos impulsos dados pelos sentidos, logo o próprio prazer pode ser considerado, na sua essência, um sentimento.

Banshee said...

Obrigada pelo comentário. Também tu aludes aqui a grandes nomes. Gostei bastante do teu blog, e achei esta Teoria do Prazer deveras interessante. Mas, obviamente, não posso concordar contigo, devido ao caracter racionalista com que abordas esta questão, pois guio-me um pouco pelas ideias do Romantismo.

Vou adicionar-te aos meu links. Deixa-me um comentário se quiseres que o retire. ;)

Banshee said...

*meus